segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

DEPOIS DO VENDAVAL



Cheguei...
Depois de um descanso
Depois de uma festa
Há quem me deteste
mas este eu amanso...
Eu trago o trabalho
o óscio, a preguiça
A chuva me atiça
me acalma, me atrai...
Comigo vai a saudade
vem a tristeza,
se dividem as idéias
se esvaem os pesos...
Levo a solidão
Trago-a nos braços
a vida se solidifica
e a morte se dissipa...
Meu tempo é teu tempo
Ares, abertos, estrelas
Paredes distintas se fecham
e nada de cheiro de tinta...
Cheguei...
Fico pouco... só as horas normais
vinte e quatro passando, passando
meus momentos serão soltos
meus momentos serão presos
meus momentos serão pressão
mas nunca serão banais...
O que eu serei
Eu já fui
E nunca fui
E nunca mais serei
O grito dado
O pedido negado
A respiração...
A respiração...
Cheguei...
e mesmo se sou o primeiro
me chamam segunda
a segunda-feira
da semana...
o dia a mais...
um dia a mais...
que ninguém almeja...

(Enquanto lá bem longe de mim o jornal fica anunciando tudo o que não me interessa...)

Imagem da net

2 de papo!:

Edson Marques disse...

Jacqueline,


Num só poema você consegue tratar, com maestria, de tantos temas: solidão, ócio, saudade, preguisa, vida, morte...

Ficou lindo!


E gsotei do teu comentário no blog Mude.

Só a Loucura nos livra da loucura!



Abraços, flores, estrelas..

Edson Marques disse...

eu quis dizer "preguiça"...

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