terça-feira, 15 de janeiro de 2008

CONFESSO QUE VIVI: RITA MEDEIROS


Este espaço recebe hoje o poema de uma grande amiga que me tocou muito quando o li. Suas vivências, profundas, transparecem a cada linha. Leremos aqui as suas lágrimas e os seus gritos pela vida!


CONFESSO QUE VIVI
Rita Medeiros
Sim eu vivi!
Eu confesso que vivi!
Como foi que suportei tudo eu não sei!
E, hoje em dia, eu só queria um benefício: o esquecimento.
Tanta dor, tanta mágoa, tanta tristeza, tantas lembranças,
São um fardo muito difícil de carregar sozinha...
Sim! Sozinha!
Porque nem com o meu fiel escudeiro,
O travesseiro,
Posso dividi-las!
Das lembranças
Ele não pode me aliviar
Para as dores
Ele não pode me dar o remédio
Para as mágoas
Não pode me dar mais explicações
Do que as que já obtive da própria vida
Das tristezas nem o sono me livra,
Elas me perseguem em sonhos....
São tantas as saudades,
Tantos... Ah! Se eu tivesse dito,
Ah! Se eu tivesse ido...
Eu confesso que não sei como vivi!
Muito menos como tenho vivido depois de tudo
Depois que as ilusões se foram,
Depois que os objetivos se desvaneceram como fumaça
Diante dos meus olhos estupefato
Diante de uma realidade tão crua
Que se apresentou instantaneamente!
Por isto gostaria de esquecer!
De me livrar de tudo isto como se fosse um casaco velho e puído,
Que foi usado até rasgar!
Poderia até não ter outro...
Tanto faz...
Seguiria nua,
Sem estas referências equivocadas
Pelo resto da vida que me sobra
Num passeio de bicicleta
Na direção de um simples entardecer,
Num velho e abandonado cais.


10/01/2008


Imagem: Nil-Jeff Stephens

5 de papo!:

rita disse...

as últimas linhas foram uma homenagem à Regina... lembrei dos nossos passeios de bicicleta, naquelas tardes da nossa adolescência, quando terminávamos íamos para o caizinho, na frente do Stella Maris, ver o por do sol... invariavelmente lindo!
bjocas

fatima de laguna disse...

Muito bonito, Rita! Parabéns!
Parabéns à blogueira por divulgar.
Abraço para as tres, Rita,
Regina e Jacque! Da Fatima, aqui da praia do Mar Grosso.

Anônimo disse...

Rita, parabéns pela poesia! Os sentimentos já estão fluindo, viu? Do coração para o papel... Quando li a estrofe sobre o passeio de bicicleta, imediatamente me vi junto contigo, contemplando o pôr-do-sol, curtindo o vento nos cabelos de que tanto nos orgulhávamos e acalentando os tantos sonhos daquela época inesquecível. Parabéns mais uma vez e continua escrevendo... É como andar de bicicleta! Aprendeu, não se esquece mais...

Beijos, extensivos a Jacque e Zu...

Regina...

NiNaH disse...

nossa mãe
que depressão
¬¬

Zuleida disse...

Rita, que coisa menina!!! E não é que está fluindo?!!?
Beijos

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails