quarta-feira, 19 de março de 2008

MEUS OLHOS AUTISTAS



Meus olhos não são turistas
Pobres coitados que não sabem
passear por aí apreciando a paisagem...
Ficam extraindo a poesia dos postes
E acariciando os transeuntes que
passam sem nem lhes ver...




Ai meus olhos que não são jornalistas
Que não se atêem aos fatos
Mas choram anistias, sorriem com crianças
Andam por aí pousando em flores
E tentando compreender razões
Para os olhares vazios das guerras
como as insidiosas ações de povos que
trouxeram o cansaço dorido ao dalai lama....


Meus olhos que não são artistas
Vagam por aí comigo e me cantando:
"Cantar, a santa melodia... canta mais"....
E enxergando gente em bolas de futebol perdidas
em campos abandonados...
E achando que o cobertor esquecido na cerca
precisa contar sua história...
Vendo objetos góticos em estojos femininos
de se tornar mais... mais...



Meus olhos que não são cientistas
Olham as misérias dos jornais e vêem-nas já
Em tubos de química transformando-se em amor...
Seguem os passos dos lobos que amam as criancinhas
E sente a árdua vontade de serem caçadores...
Vêem as drogas que embalam seus filhos desgraçados
E sentem-se esmorecer...


A alma vivendo em mim chora em silêncio
e tantas vezes pensa em fechar a janela de sua casa...
Mas uma vez mais ela chega até os olhos e através deles
Vê os brilhos do sol que encobrem a rua....
... e pensa: guardai-me aqui um pouco mais meu anjo...
Nem que seja para ver desabrochar uma flor mais!




*Ouço MP4 cantando Cálice... agora, toca Cebola Cortada.... e agora a que eu amo de paixão: Velho Ateu! Quer saber? Vai ouvir o disco todo que ele é bom demais, eu já fiz "repeat" duas vezes!




Imagem: Shaman_702_Seven_Moons_Passing de Susan Seddon Boulet

3 de papo!:

Anônimo disse...

Dos ultimos o melhor....
Magnifico, sem duvidas.
fui

Anônimo disse...

Jacqueline voce deu tipo assim uma
lavada na alma (na sua e na nossa). São versos catárticos,
tão necessários, tão abrangentes
e mais belos porque serem pré-pascoalinos. Gostei muito de senti-la querendo a leveza de quem diz
em poema o choro que precisa fluir.
Bj da Fatima.

Zuleida disse...

Divino!!

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