quinta-feira, 8 de maio de 2008

TURBILHÃO


Decidi ir à guerra.
Coisas de instinto, ou coisas de menino
Eu fui só, para o front.
No corpo babado de suor
nenhum espaço para vestir a farda,
fardo das lembranças,
vestido flamejante de outrora
gozo tinindo na orelha
som de uma granada
a mesma roupa usada nos bailes,
e eu me perdendo no turbilhão...
Procurando uma peça mais íntima
qualquer coisa de ínfimo
um pedaço de renda, uma sombra,
um cheiro conhecido de alfazema ou de mar.
Mas tudo me levava de volta pra guerra
Só porque um dia eu decidi ir pra lá
Porque um dia eu decidi dizer sim
abri minhas razões e enterrei meus medos
mostrei a minha carne bem além da pele
Na linha de frente segui soldado e comandante
vestida com meu uniforme de cetim...
Menino, menina.. atordoada criatura sofredora
Loucuras, loucuras, loucuras, loucuras....
Foram tantas guerras a sobreviver....
tantas guerras a sobreviver....
guerras a sobreviver...
a sobreviver...
sobreviver...
loucuras...
menino...
menina...
atordoada criatura sofredora...
criatura sofredora....
Decidi ir à guerra!
(Escrevi ouvindo o CD Clássicos de Yo-Yo Ma.)
Imagem da net

1 de papo!:

Isa disse...

Guerras nunca são necessárias; elas são confrontos que poderiam ser realizados sem que resultassem em tantas lamentações e infortúnios.
E a pior guerra de todas é aquela que travamos dentro de nós mesmos.

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