sexta-feira, 23 de maio de 2008

VEIA ABERTA


Quem botou um pé na vida com gosto não vai assim querer botar logo os dois na morte. Pensei, pensei, e anotei. Pois vai que eu mesmo me esqueça ou seja o senhor, meu vizinho, que se esqueça primeiro, e tudo recomece, a ciranda das preces e a agonia pelas doenças mal acabadas e os amores nunca nem começados.
Eu bem sei que o senhor quando me contou a última prosa, a que cortava o coração da moça e o meu também, sem contar das rendas rasgasdas que foram daquele vestido, estava com o os olhos tão cheios de água quanto de mágoa e do álcool que lhe preencheram as entranhas. Se não se importaram as suas mãos vazias, por que é que eu vou arrumar do que me incomodar?
Vou lhe dizer aqui só de um detalhe que mais besta nem podia: todas as paredes ouviram o segredo. Todas, meu vizinho, ouviram sua história e agora sabem da cabrocha, das carochas, do carnaval, tudo. E dela, meu vizinho.
E posto e dito que está até para as paredes de tão bons ouvidos, homem... Deste coração lacerado não sai em voz mais alta e escrita pros céus a história decente que começa lá nos teus olhos e termina aí nos teus pés sujos de sangue?
(Uma veia se abriu... será que o sangue continuará a correr?... até onde?... até quando?... de que forma?)

0 de papo!:

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails