terça-feira, 15 de julho de 2008

MONTREUX JAZZ FESTIVAL: DIAS DE SOL E NOITES DE SOL

Tower of Power, da California para Montreux

Jeito inconfondível: um dos membros originais da banda Tower of Power

O vocalista da Tower of Power cantou, dançou, conversou, deixou o público feliz


Claude Nobs traz o bolo para Emilio do Tower of Power


David Sanborn


David Sanborn, thank you very much


Roberta Flack


Roberta Flack, incrível e simpática


Davel Crawford


Bilhetes para a alegria!
Muitas notas musicais depois, o festival prestes a completar sua primeira semana, lá vamos nós para uma voltinha. Sexta-feira, a promessa é de dar muitas voltas, escolher umas coisinhas boas pra comer, um cantinho gostoso, alguma boa música pra ouvir, mas voltar cedo... nada de esticar. Mesmo sendo sexta. Porque tem sido sexta quase todo dia e depois vem sábado, domingo...
Isto foi o que pensávamos quando estacionamos na sexta passada. A chuva, impiedosa, caía intempestiva confinando o público ávido de novidades. Mas graças aos céus eles e elas estavam lá para cantar e tocar aliviando todos os males. Se nas ruas a temperatura a havia caído logo percebemos que nas salas ia subir muito.
Numa das salas, a Miles Davis, a noite seria dedicada ao filme Paraíba Meu Amor, com a presença de diversos artistas brasileiros, entre eles Chico César, que há pouco tínhamos visto dando uma entrevista. Lembrei da primeira vez em que o vi cantar aqui em Montreux, com aquele penteado muito esquisito, aquele refrão nunca mais esquecido da Mama África. Senti um orgulho sincero por vê-lo ali, com o violão nos braços, sendo entrevistado como o astro da noite (Na manhã seguinte os jornais falariam ainda mais dos ritmos fantásticos do Brasil).
No Auditório Stravinsky uma plêiade made in América do Norte: Davell Crawford, Roberta Flack (ela!), David Sanborn (ai o sax!!) e os fabulosos Tower of Power (eu precisava rever...!). Bem que a gente tentou correr. Mas estava chovendo. E fazendo frio. E a gente já estava lá. E tinha ingresso ainda. E, ah... não adianta dar mais desculpa que eu não ia aguentar deixar uma noite destas passar. Se eu não fosse ia ter mais temporal dentro do que fora...
Abriu a noite no piano Davell Crawford. Eu não conhecia ainda e tive uma sensação fantástica: olhando ele tocar, o jeito dele, assim, sentado, cantando e tocando, de repente me parecia estar ouvindo Stevie Wonder. Uau. O rapaz é bom. Lá de New Orleans. Não precisou que ninguém colaborasse, fez o show dele. Abriu e fechou. E duvido quem não tenha gostado. Quando Claude Nobs veio buscá-lo, como faz com cada artista, levou mais um consagrado. Eta Claude Nobs que já fez nomes na carreira nele...
Roberta Flack, inesquecível tanto quanto os seus sucessos, veio cantar para uma platéia de fãs mais do que fiéis. Música por música, as letras eram acompanhadas pelo público. As palmas se elevavam no meio das canções, paravam, voltavam com mais força a cada final. Um ou outro pedido tímido. Vários agradecimentos. Alguns gritos meio sem jeito de "querida" ou "linda". E ela brincando, sempre sorrindo, no piano e acompanhada de sua banda, brindou a todos com interpretações do que amamos, afinal em algum canto de nós somos românticos... Quando se despediu todos cantavam ainda para ela " I'll Stand By You".
O sax irrepreensível de David Sanbord que aprendi a gostar ouvindo escrevendo, confesso que não imaginava ouvir assim, ver assim. E nossa! Pode uma coisa ótima ser ainda melhor? Pode. Tanto pode que agora, neste instante eu estou aqui ouvindo (neste momento o genial Upfront) o cara e de vez em quando dou uma fechadinha de olhos pra lembrar. Coisa didoido. Volta e meia eu virava pro lado e dizia: o Zé Valdir ia adorar isto aqui. Quem ler que entenda. E a cada música terminada um invariável olhar para o público, thank you, baixar de olhos, thank you very much, levanta os olhos e a cabeça... e o tic pegou e o público sacou e todo mundo dizia: THANK YOU, THANK YOU VERY MUCH! E David sorria pra gente! E continuava a tocar aquelas maravilhas....
Falar da banda Tower of Power fica difícil. Fácil pra quem conhece: sim, eles continuam fantásticos, continuam eles, continuam com aquela energia que só eles tem. Pra quem nunca ouviu falar, vou começar do começo. Eles são uma banda de soul music. Quarenta anos de estrada. Quatro membros originais. Até ganharam um bolo em pleno show, imaginem só esta, o Claude Nobs veio trazer o bolo e tudo pra festejar. Uma festa. Eles vêm da Califórnia, têm um estilo, um swing impressionante. Público, levanta-te e dança! Não há alternativas com o Tower of Power, a não ser quando eles querem. Di-vi-nas as cores da alegria!
Passam das duas e meia da manhã do sábado. Hora de comer alguma coisa, ainda dando uma sacudidinha enquanto uma ou outra melodia volta na cabeça... A chuva cai lá fora mas assim mesmo a rua está cheia de gente. Os bares, cafés, boates, tudo está cheio.
E pensar que há pouco mais de 42 anos atrás Claude Nobs era o secretário de turismo de uma cidadezinha pequena da Suíça e que para fazer entrar dinheiro na cidade ele inventou um tal festival de jazz. Imaginem só se não tivessem botado fé no homem. Cruz credo!



(Ouvi, estou ouvindo e continuarei ouvindo: David Sanborn (Inside e Upfront) e Tower of Power - The Oakland Zone)

0 de papo!:

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails