terça-feira, 15 de julho de 2008

MONTREUX JAZZ FESTIVAL: DOMINGO NA MILES

Trio Jobim e Milton Nascimento
O filho de Tom Jobim e Milton

Milton Nascimento


Daniel Jobim


João Bosco


João Bosco


João Bosco



João Bosco



Foi pena que tanta chuva despencasse do céu domingo também. Eu já tinha preparado a máquina para tirar um monte de fotos. Porque domingo é o dia que tinha trem, barco, especiais de vários tipos. Então, um solzinho seria realmente muito bem-vindo. Mas ele não veio. Amanheceu o dia cinza sem promessa de melhorar e aos poucos a chuva foi tomando conta do dia. E da noite. Tanto que só ontem o sol botou a carinha pra fora. Típico, diríamos nós que vivemos na beira na praia e tantas vezes passamos a semana esperando por "aquele" fim de semana de praia... que não vem. Pois é, igualzinho, igualzinho.
Guardei a máquina e os óculos de sol. E escondi a raiva junto com aquela camiseta que eu tinha separado. E a sandália também. Peguei uma blusa de mangas compridas, calcei os tênis, curvei-me a evidência da noite mais curta e sem todos os detalhes que tanto gosto. Ah, Jacqueline, Jacqueline... dá um tempo, vai! Sossega, leão! Tá certo que outras coisas não se farão... mas olha só que espera: João Bosco, Milton Nascimento!! Ok, você venceu!
João Bosco, há muitos anos atrás eu vi cantar só pouquinho. Estávamos vendo um show, um tributo para Elis Regina em Montreux com César Camargo Mariano e mais alguns artistas e, de repente, sem mais nem menos, ele entra no palco: estava em Lausanne, do lado, ouviu falar do tributo, não podia deixar de fazer uma homenagem também. Nossa, foi demais. Ali eu já tinha caído. E o Milton? Ele eu já assinei um bloquinho dizendo que onde ele for eu vou!!! Ele veio com os Tambores de Minas? Eu tava lá! Com o coral de meninos cantar o Angelus? Não perdi? De smoking, estilo Crooner? Imagina se ia perder... Milton vem, eu corro pra ver. Ele inventa e se reinventa, é mestre. Desta vez vem com Trio Jobim, já amei o disco, ia perder o show? Eu hein?
Chegamos na hora certa, sala cheia. Claude Nobs anuncia a noite brasileira, traz Mazola e as congratulações por trinta anos de parceria se fazem. Trinta anos de participação brasileira em Montreux. Trinta anos. Não é para qualquer um. Se pensarem bem, todos os países são alternados, misturados, mas o Brasil, além de estar "pincelado" aqui e ali, ainda tem o "luxo" de ter o "fim de semana brasileiro". Engraçado né?
No palco, a pouca luz deixa entrever dois microfones e um banco. Uma mesinha. Parece mesmo que ele vai tocar sozinho. Quando entra João Bosco a simpatia já entra com ele. Cerca o cara, preenche a sala e inunda o público com uma alegria "refinada" que poucos artistas sabem passar. Seguem-se sucessos novos e antigos. E um simpaticíssimo e sorridente "obrigadoooo genteee" que leva o público a imediatamente responder: "obrigado Joãooooo"!
João Bosco reabre velhas feridas, faz rir, faz vontades, leva ao delírio. Sai mesmo lá do fundo da platéia e da alma de uma fã mais inveterada um "gostosooo" após Desenho de Giz que cala o resto da sala. Ah, as brasileiras, tão à flor da pele!
Então ele começa a tocar, com aquelas suas introduções únicas, a música das músicas de todos nós os exilados por ou sem querer. O bêbado e a equilibrista não se equilibram mais, a gente chora.... ele toca, seu violão perfeito, e faz o back vocal, mas é seu público quem canta, alto, forte.

... a esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar...

Eu sou capaz de jurar que neste momento eu flutuei. Vi toda a sala azul. Estava sentada na primeira fila e foi como se a sala tivesse feito um giro, tudo flutuando, eu também tudo azul, estrelas, uma coisa que não explico. Mas chorei de emoção.
João Bosco foi aplaudido de pé até sair e até voltar. Voltou, muito querido! Cantou novamente e deixou no nosso coração o seu Corsário. Imaginem, ele estava de aniversário e a gente que ganhou presente!

Entrou no palco o Trio Jobim. E de cara deu pra ver que não eram qualquer coisa. Bossa com bossa. O neto, um charme, com uma voz doce. O filho, a voz perfeita. Filho e neto de Tom Jobim. Quem diria. Seja o que se diga, todos os integrantes honraram o nome do homem. E Milton, encabeçando a turma, como sempre conseguiu aquilo que todos tentam e bem poucos conseguem: fez uma reviravolta na bossa nova e trouxe uma jovial interpretação, como a novíssima maneira de cantar Chega de Saudade. Uma das coisas que mais gostei foi sentir a integração do grupo. Deu pra perceber como estavam "juntos" em tudo o que cantavam, tocavam. Nada de estrelismo.
Milton Nascimento interpretou uma canção de Daniel Jobim, Dias Azuis, junto com o autor. Na melodia, assim como na letra, a suavidade do neto de Tom Jobim deixa entrever o dia em que ele voltará a este mesmo palco para cantar sozinho como Maria Rita, a filha de Elis o fez.
Eles fizeram um show de duas horas. Um magnífico show de duas horas. Milton volta e meia conversava com o público, e contava breves histórias, em Português - dizia ele: "Não falo Francês, Inglês não vai adiantar, então vão traduzindo aí pro vizinho do lado... mas brasileiro é preguiçoso!! E não deixou os fãs sem seu Coração de Estudante e ainda nos levou cantando pelos Bailes da Vida.
Milton saiu de cena ovacionado por um público saciado, feliz. Quando voltou, com o Trio Jobim, todos emocionados como também nós, cantamos juntos Maria Maria. Até o fim!


1 de papo!:

Anônimo disse...

hummmmmmmm... Jacque, esse lance de flutuar e chorar foi divino, cara! Tua crônica é documental.
Que delícia! Bjo.Fatima.

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