domingo, 13 de julho de 2008

TELEFONE CORTADO


Nos últimos dezessete anos (este ano eu não conto) minha vida aqui bem longe tem tido seus lados A e B. Como todo mundo. Não sou diferente nas linhas gerais. Sou diferente só nas minhas linhas (da mão?), aquelas que eu sigo e aquelas que fazem que eu seja quem sou. Mas... norma geral, sou a filha longe, que faz um tempão não tem mais o irmão ( e que era mais amigo do que irmão), e que adorava contar todos os passos "pra" mãe e "pro" pai. Sabendo que eles, não tendo outros filhos, ficavam também esperando por estes momentos. (Bonito, já comecei...). Pausa.

Ok. Então. Aí que inverno e verão, trabalho e diversão, dentro e fora de casa, sempre tinha muitas coisas pra contar pra eles. As novidades, as bobagens, as alegrias, as tristezas. A gente sempre tinha uma infinidade de "informações pra trocar". E eu, que sempre detestei telefone, fazia "A" exceção para os dois. Porque eram os dois. Licença, pausa de novo.

Voltei. Os dois sabiam que aqui, no verão, pouco importasse viagens, férias, o que fosse, meu hit era, desde que vim pra cá, o festival de Montreux. Paixão mesmo. Pela cidade, pelo festival, pelo ambiente, afinal... eu adoro músicas e lá... tem tudo e muito mais. Aí, claro, horas de papo com todos os detalhes. E as fotos seguiam depois. E de repente este ano, o festival fantástico, eu aproveitando, senti um bloqueio imenso pra escrever, me dei conta que não tinha tirado uma foto sequer da cidade, do ambiente... e os nós na garganta se acumulando...

Agora vou tentar. Conseguir é outra coisa. Porque pra eles era espontâneo, saía de mim e corria pra eles como água do rio pro mar... Mas como para muitos "navegar é preciso".... eu posso dizer sem errar que para mim, "escrever é preciso"...

Sem escrever, eu me afogo. E sem eles, meus três que agora estão sabe lá onde, tenho me afogado com frequência. Acho bom escrever... para não afogar de vez.



(Aqui ouvindo músicas, muita música, um pouco dos anos 70, agora um pouco de Johnny Cash... descanso para mais tarde ir ver Milton cantar com o trio Jobim e sofrer com o charme irresistível do João Bosco lá em Montreux hoje de noite)

1 de papo!:

Anônimo disse...

O quê? Jacque eu compreendi direito? O Joaõ Bosco está (esteve) em Montreux? Coisa mais danada de boa é esse cara.
Jacqueline, gostei muito deste post.Sabe, voce estava como criança que "engole o choro" e fica sem ar.E a gente aqui na angústia sem saber o que dizer.
Jacque, a música tem este poder
de desatar os nós da alma.
Amei saber dessas coisas do festival.Mas sobretudo sinto alegria em vê-la assim, narrando
com tanta nitidez teu sentimento
de mundo, sem eles (os tres).
Sinto alegria porque é preciso,
Jacqueline. É preciso dizer.
Do amor por eles. É preciso repetir.Escrever repetindo do amor por eles.E agora lembro o verso da canção no disco que vc me deu:
"cantar nunca foi só de alegria,
com tempo ruim todo mundo tambem dá bom dia".Serve pra voce.
Serve pra mim querida.
Eu sei o quanto me serve.
Mas eu canto.Cantemos!
E te digo: BOM DIA, KIKA!
Beijíssimos. Fatima.

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