segunda-feira, 18 de agosto de 2008

INTERLÚDIO


Uma linha me separa do que sei daquilo que creio. A linha de cima. Estico o pescoço e encosto a cabeça tentanto ver o que há sobre ela. Como se eu fosse uma das letras, daquelas letras que tentavam ser bonitas, se esticando todas no caderno de caligrafia. Olho para os dois lados e nada vejo além da própria linha. Há vazios, muitos vazios. E outras letras preenchendo vazios. Em que versão deveria eu acreditar para tentar fazer mais longa minha estada? Qual versão seria mais completa ou menos enfadonha? Qual resposta me daria menos dor ou um pouco mais daquela vontade de ainda crer? Doses de esperança são bem-vindas mas infelizmente as linhas se preenchem rapidamente com pontos de tinta preta e azul. Chamamos letras e do conjunto delas dizemos palavras e ainda delas todas juntas esperamos frases que acabamos por desejar ser pelo amor de deus alguma coisa que nos faça bem. Um poema. Um texto qualquer. Algo inspirado pelo mesmo deus que nos deu ênfase e a agonia última para pedir, suplicar, por qualquer coisa que fosse belo e não deixasse vazia a linha... a linha que vazia seria quase uma corda e poderia até sufocar, sufocar, sufocar.

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