domingo, 10 de agosto de 2008

SOB OS OLHOS DA ALMA


Talvez eu tenha perdido a vontade de atravessar o deserto. Só isto. Talvez tenha perdido a fé em todo e qualquer profeta que venha por aí me prometendo o maná dos céus. Talvez eu tenha simplesmente enxergado a aridez do coração humano. O fato é que que parei de andar. E agora estou aqui, sem oásis, sem céu acima ou abaixo dos pés. E busco o que puder dentro de mim para poder reconsiderar certas passagens e com isto retomar o caminho. Fazendo de conta que nada sei, que nada vi, que nada ouvi, que nunca soube, que nunca ouvi. O preço de dois passos a mais é o silêncio. O vermelho, sanguíneo, sanguinário, ensaguentado, sangue da veia dos que se deram e jamais tiveram voz. Talvez eu continue um tanto mais. Talvez. E será somente para que meus olhos possam ver tudo o que eu quero que eles marquem a ferro e a fogo. Os olhos da alma, fúteis criaturas, os olhos da alma!
(Eu ouço músicas, e as músicas me tiram do silêncio... Miles Davis, Seven Steps to Heaven... sem dele realmente me levar...)
Imagem da net

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