quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

OLHARES MOLHADOS

Blumenau, Santa Catarina, nós te queremos assim!!!


Ao povo catarinense, nossa solidariedade!



Longe na minha memória encontra-se a enchente de 1974, revivida pelas cenas dos acontecimentos atuais que são mostrados através de toda a mídia. Santa Catarina, assombrada novamente pelo terror da natureza, sucumbe mais uma vez a um mergulho involuntário nas águas da chuva e dos rios. E desta vez, pelo que consta, ainda pior, bem pior, do que fora há 34 anos atrás.
Quando dos meus 13 anos, naquela época em que as águas tomaram nossa linda Santa Catarina, a barra do camacho em Laguna ainda estava fechada, o que fez com que o rio Tubarão, quando encheu, transbordasse na Lagoa Santo Antônio, causando uma cheia também em Laguna. Engraçado... como lembro bem disto... as ruas totalmente alagadas, não havia sequer uma "divisão" entre onde começavam as águas do cais e a rua... tudo era só água. Na minha ingenuidade, tudo era só brincadeira.... muita água? Muita água para brincar! Fazia barquinhos de papel para soltar pelas ruas, corria descalça por todos os cantos, quanto mais água melhor. Hoje compreendo porque tanto me chamaram a atenção... Meus pais e meus avós não gostavam muito da idéia de ver correndo pelas ruas encharcada dos pés à cabeça como se estivesse num parque!
O tempo passa.. E creio que não existam muitas mais crianças de 13 anos que brinquem de barquinhos de papel em meio a uma enchente... Naqueles tempos, ouvia-se falar, dizia-se que... Mas todos sabiam e falavam muito de Blumenau, de Tubarão, das tristezas, da catástrofe ocorrida. Dias de muita dor se seguiram. Muitos alunos novos vinham estudar em Laguna, muitas famílias vieram morar em Laguna... foram dias difíceis.
A lembrança que tenho em seguida é a de um triunfo, de uma reviravolta de povos altamente vitoriosos, trabalhadores. Algum tempo depois, fui até Tubarão com minha avó. Esperava ver uma cidade fantasma, coberta de barro, um fim de mundo. E o que vi? Uma cidade limpa, funcionando a pleno vapor, gente nas ruas, Tubarão reconstruída e indo em frente. Sem choramingos, sem parar para reclamar. E o mesmo fez Blumenau. Em frente. De cabeça erguida, corajosamente. Tive muito orgulho deles, muito mesmo. Que catarinenses fortes!!
Agora, acompanhando aqui de longe o que este valoroso povo está passando novamente e em dose mais violenta, só posso pedir a deus que acomode cada um deles em seus braços enquanto eles descansam e se preparam para se reerguer. Com certeza eles hão de ter tudo o que já tiveram e muito mais. O sofrimento com esta calamidade está doendo fundo. Doendo neles, que perderam tudo, muito, alguém, algumas coisas. E em nós, que ficamos perdidos sem saber o que fazer para amenizar a dor dos que perderam.


Haja piedade nos céus para os que ainda encontram coragem de roubar os que tanto tem sofrido; e que muitos barquinhos de papel cheios de amor possam dar esperança e força aos que estão perto ajudando.

Força catarinas, nós vamos nos reerguer de novo e ainda melhor!

4 de papo!:

Anônimo disse...

Belíssima crônica, amiga Jacque. É isso aí! Santa Catarina vai se reerguer, sim. Tomara que, por conta de toda esta tragédia, autoridades e população entendam de uma vez por todas que, da preservação da Natureza, depende a continuidade da nossa vida no planeta, da nossa e dos nossos irmãos vegetais e animais.

Regina...

Zuleida disse...

Faço eco às palavras da Regina. Mas,entrando na corrente de lembranças da Jacque, em 1974, na grande enchente de Tubarão, sofrendo a falta de energia elétrica (minha pior lembrança), ter que dormir cedo,que droga! Tamanha desinformação, adorei meus tios de Tubarão virem morar em suas casas de praia em Laguna e minhas adoradas primas estudarem comigo no CEAL. Mesmo que eu tivesse que almoçar às 11:00h e entrar na aula às 11:30 e sair às 14:30, porque o número de salas de aula não eram suficientes p/ abrigar tantos estudantes ( todos vindos de Tubarão). Ficamos assim uns seis meses? Não lembro direito. Mas lembro que fomos algumas vezes ao Morro da Nalha pra verificar a enorme cratera que ali se abrira pela força e quantidade de água da chuva. Naquela época, a prefeitura custou a tomar providência p/ resolver o problema. Falta de vontade, iniciativa ou de recursos???? Não sei. Era pequena p/ formar uma opinião. Alguém se arrisca a me responder??/

Zuleida disse...

Ah! Li um poema teu num site de uma cidade do Rio Gde do Sul. Não tô conseguindo achar o endereço. Mas assim que localizar, divulgo. Eia, olha a idade fazendo efeito. Beijo

Anônimo disse...

Jacque bom dia!
Que bom ver teu coração pedindo pelos catarinenses! O que não é de se estranhar pois o solo barriga verde, tenho certeza,é o que bate mais forte, dentro do teu peito.
Bjão da Fatima. O domingo está liiiiiiiinnnndooooo e o papai Noel chega hoje à noite,lá no centro!!!

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