domingo, 25 de janeiro de 2009

DE DENTRO DO SILÊNCIO


Aqui dentro de mim há tantas coisas para ouvir que nem mesmo o silêncio de minha voz diminui. Falo pouco. Ou nada. Cansei de repetir palavras que voltam. Só voltam. Sem nenhum acréscimo. Um eco vago e sem sentido não me interessa. Ouço do lado de fora só o que consegue ultrapassar a indiferença. Aqui dentro de mim tantas vozes falam enquanto, desperta, passo os dias um a um. E quando o sono chega, chegam também os outros para falar comigo, viver comigo. Aos poucos o silêncio tranforma-se numa necessidade e não há nem mais interesse em soltar a voz para pouco. A voz ganha do coração as cores de experiências de muitas vidas e cala. Para que falar quando o dito é igual a nada? O silêncio ao menos, ele não transparece as mágoas. Deixo os olhos falarem. Algumas vezes. E escuto, escuto. De dentro, de fora. Pode não haver ouro nos silêncios, mas certamente há muito a saber.

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