sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

MOBILIANDO SILÊNCIOS


Completa falta de movimentos. Uma das táticas do silêncio contra certos sons que conseguem ser ensurdecedores, sem sentido, mesmo travestidos dos mais belos sensos. Eis talvez a razão, ou uma delas, quem sabe, pela qual sempre me senti naturalmente inclinada a deixar os silêncios vazios... Mobiliar silêncios com palavras vãs nunca foi meu forte. Elas, as palavras, saem de mim escritas ou preferem morrer ali mesmo, no coração ou na garganta. Até encontrar onde se sentirão livres, onde poderão mesmo ecoar, sorrir de si. Palavras e silêncio não são feitos uns para os outros. E não dependem um do outro. Mas podem se tornar os assassinos um do outro. E no meio disto tudo está o papel e a tinta, sangue e corpo, sacrifício eterno do silêncio não quebrado, da palavra gritada. Para que todos os pecados não sejam cometidos ao mesmo tempo e nenhum desejo fique sem ser realizado.


(Ouço algumas músicas cheias de paz, tocava The Sixteen, "Gaudeamus Omnes". Agora estou ouvindo o disco de E. S. Posthumus, que não canso de ouvir... )

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