quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Como Mãe


Como uma boa mãe ela largou tudo para fazer o melhor pela filha pequena, criada sozinha com o auxílio de outra mãe, a dela. Foi depois que aquela prima visitou-as, contando como era fácil ganhar dinheiro lá fora, vier no luxo e ainda sustentar a família que ficava. Pela aparência da prima, nada a negar: bonita, bem arrumada, perfumada, gastando dinheiro de um jeito que ela nunca ousaria. Nem se tivesse para gastar.

Ela decide: a pequena fica com a vó enquanto ela vai lá trabalhar um pouco, um ano, quem sabe menos, para fazer a família, tão pequena, viver de maneira mais amena. Deixa o emprego de funcionária pública onde o que ganha não vale tanto e parte com a passagem da ida.

Já na chegada foi recepcionada de maneira fria pela prima sem tempo e de aparência acabada que precisava dormir e não tinha o que conversar. Não podia ficar alojada no apartamento porque a prima já estava no negro e não queria ser responsável por mais uma. Deu o nome de um conhecido qualquer, um endereço num papel e bateu a porta.

Fome e lágrimas alimentaram a dor da decepção. Só e sem referências, sem compreender ou ser compreendida, o único apoio que ela recebeu foi numa igreja perto dali onde um grupo de pessoas se esforçava para ajudar outros como ela.

Achou uma amiga, juntas começaram a fazer trabalhos de doméstica. Duro de manhã à noite, sete dias por semana. Com medo nas ruas, agora já são anos de distância.

O dinheiro segue todo mês. A criança cresce. E cada vez mais fica difícil, tão difícil, conseguir voltar.



(Das histórias que ouvi aqui, publicadas em meu livro Coracional em 2007)

Imagem: Pintura Woman in Chain do site http://www.b-tien.nl/schilderij,%202.html

1 de papo!:

Anônimo disse...

Muito boa crônica! Bj da Fatima

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