sábado, 29 de agosto de 2009

Altas divagações matinais


Ontem estava revendo Animatrix e de novo as palavras do Kid afundaram na minha cabeça:

"- Por que quando sonho tudo parece mais real do que quando estou acordado?"

Pois é. Ele tinha uma intuição de alguma coisa não estava certa. Eu tenho também. Não vou dizer aqui que vivo numa Matrix mas tem algo estranho que me deixa assim, sei lá, "fora de dentro de mim" de vez em quando.

Tenho uma facilidade imensa para estabelecer contatos com as pessoas . Primeiros contatos. Depois... é como se eu vivesse tão longe, tão longe, que apenas pudesse ouvir, ver, sentir, mas nada responder. Dói, mas não há muito o que fazer. Toda a efusão dos meus primeiros gestos, das minhas primeiras palavras, perdem-se na distância que vai se estabelecendo, triste, na sequência dos mesmos. Eu adoraria dizer... eu adoraria fazer... mas... mas... há algo que me impede, há algo que me mantém trancada, longe. E assim, me afasto do mundo.

Outro dia, numa conversa, falava sobre viagens e o fato de detestar viajar. Contestando os ditos filosóficos que realçam os méritos da viagem mais por ela mesma do que pelo fato de partir ou chegar, falei de meu desejo de apenas estar. E na minha voz se fez perceber um tom de saudade, como: lá, de onde eu vim era assim. E me vi meio louca meio eu mesma meio alguém que nunca soube, a descrever que, lá a gente simplesmente fechava os olhos e estava... mas ainda não dava para fazer aqui. Não dava. Que pena. Olhos pasmos, sorriso na boca, quem me ouvia devolveu sem mais palavras: Lá onde, em outro planeta? Silêncio. Mais uma vez passei por uma doida dizendo asneiras. Como é mesmo? Boca fechada...

Nas horas de razão eu penso que já vivi aqui todo o tempo e mais um pouco. Nas horas sem ela penso que faltariam dezenas, talvez centenas de anos para conhecer mais e mais daquilo que, como uma criança, descubro todos os dias.

Acordada, sigo um roteiro que me desagrada, incomoda, que não sei para onde me leva. Adormecida, sigo livre, sem os fios do tempo, encontros e reencontros, lugares conhecidos de agora e de sabe lá quando. Os primeiros contatos e suas sequências acontecem sem medos ou barreiras. Todas as viagens são imediatas. E tanto mais. Tanto mais.

E eu realmente me pergunto, como o Kid se perguntava: Será que quando eu sonho o mundo não é o real? Será que este, quando acordo não seria alguma outra coisa?



Ouvindo Dan Gibson's Solitudes, Beyond the Sea

1 de papo!:

rita disse...

O que pensas nem é tão estranho assim.
Já tem neguinho pensando que estamos sonhando quando vivos...acordamos a partir do momento em que morremos.... haja!!!!!!!!!!!
Beijão amiga!

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