terça-feira, 18 de agosto de 2009

Teatro do relógio e a das horas perdidas


Horas sumiram do relógio.
Devem ter marcado algum encontro
com os ponteiros entre a meia hora e a meia noite.
Ficou na parede o vazio e o mal estar
de olhar o tic-tac, tic-tac a balançar
sem nada marcar.

Me perdi no tempo,
o tempo perdido
perdeu-se o tempo.
Preciosos e ociosos instantes de vida e de sono.
Sensações, rebuliços, tremiliques e os escambaus.
Agora, a hora é a agora, a hora de ir embora
(ou de voltar?) (ou de sair?)
Hora de que? Hora de quem?

Do relógio que sumiu.
Relógio?
Não foram somente as horas?
Foi todo o tempo, madame, todo!
O tempo, o relógio, a parede, uma vida inteira...
Sem ponteiros, sem dizeres, sem marcadores, sem mais nada, madame.
A senhora não acha que passou da hora?
Ou a senhora fez que perdeu, falsificou, largou minutos inteirinhos pra voltar?
Ah, eu sei... o relógio nem era seu.
O relógio nem era. Nem as horas. Nem o tempo.
Perdão, madame.
É que a senhora, aí parada, assim moça desta cara igual, eu não imaginava.
Pensei tempo perdido, relógio parado, ponteiros roubados.
Esqueci sua vida e todo o interior da beleza que o tempo escondeu.
Maldito relógio!



(Imagem: Vian Sora: A Woman in Time)

1 de papo!:

Iara disse...

O jeito é andar sem relogio.

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