terça-feira, 22 de setembro de 2009

Estações Perdidas


"Tem dias que a gente se sente
como quem partiu ou morreu
a gente estancou de repente..."*


Hoje eu estou esta música. Cantada um pouco de qualquer jeito, sem precisar juntar exatamente os primeiros com os últimos versos. Recitando-os, suspirando-os. Querendo de qualquer jeito, insistindo. Para me sentir viva e provocar o fato de não estar.
Ontem foi a esperança quem me fechou os olhos na hora de dormir. Me deu boa noite e fez acreditar que a manhã do novo dia seria nova e boa. Mas quando abri os olhos e senti que sob mim o mundo ainda era o mesmo e sobre mim o mundo ainda era o mesmo, nem fechar os olhos fechei. Porque a dor gritou me dando bom dia. Bom dia, levante-se! Bom dia, venha ver o mundo!
Enquanto sinto a pressão na cabeça que há quase uma semana não me abandona, penso nas luzes do dia que tem se transformado lá fora e bato de frente com a mudança de estação. Ela existe. Não é uma coincidência do calendário. O céu está mais fosco, há ruídos velhos que voltaram e mesmo certas folhas cismaram de ficar amarelas desde já. Se lá fora a roda gira, por certo dentro de mim gira também. As estações vão passando e não se perdem, se seguem como nos fios de uma estrada imaginária. Só eu imaginei que as minhas estavivessem perdidas. Mas eu não estava numa lacuna do tempo. Tampouco estava fora de órbita.
Girando, pressionada pela dor que não me deixa dormir o sono eterno, volto a ver as estações.



"...Mas eis que chega a roda viva
e carrega a viola prá lá..."*



*Trechos da letra da músida Roda Viva de Chico Buarque

1 de papo!:

Pia Fraus disse...

girando na roda da vida, as vezes, sinto-me dentro de num carrossel...

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