sábado, 26 de setembro de 2009

Num pedaço de papel


Aquele dia, eu acho que foi ontem, talvez hoje?
Em que em mim entraram as tuas palavras
todas as sílabas soletradas e eu que as imaginava
soltas, vivas, escritas no papel.
Fiquei eu lá...
Paralisado de dentro pra fora,
os membros que outrora respondiam como a língua e a pena,
calado e seco de olhos e boca...
nem me entender eu entendo.
Confusões são profusões em mim.
Nascem e crescem, fazem carnaval.
Tenho lembranças, respostas, vontades,
mãos que se perdem, que pedem, que me impedem.
Tenho pensamentos confinados no sótão do meu tédio
convivendo com a loucura de me ser.
Em algumas frações de tempo volto a ter vícios,
vícios novos, vícios antigos, novos artifícios,
querendo mais que tudo só ser fútil,
sobrevivo a mim mesmo e aos outros
sabendo que o que ignoro é meu reino e tesouro e
sabendo que as futilidades, elas são meigos gestos
a nos livrarem do mal do profundo.
Este mundo, ele não precisava aquele dia de mais santos
quando tuas palavras sem doce e pimenta me invadiram.
Mas elas me serviram de manto, abrigaram meus devaneios
e meus quereres por instantes plenos,
onde fui eu também, pleno.
Para depois me largar ali,
no olho daquela rua
que passa sem dó nem piedade
sob a ponte da amargura,
num pedaço rasgado de papel.



(Num sábado quente, restos de verão que se foi, ouvindo Pink Martini)

2 de papo!:

jaqueline campos disse...

boa noite! muito bom te ler...sempre!

O símbolo disse...

isso é papel e algo mais.
Uma singela "ode" a todo pormenor e procrastinação. Futilidade é prêmio em meio a densidade da vida mesmo.
Mas...e quando algo fútil toma grandeza?
Aí dá uma continuação do texto (hehe)

Até mais.

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