sábado, 1 de agosto de 2009

Esquecimento


Olhos abertos, sonhos fechados
nuvens passando ao longe...
Dentro e fora de mim se descobrem
pedaços que não se encontram...
Não sei mais de onde vim
e esta era uma certeza feita.
Não sei mais em que lugar me encontro
e esta não era uma dúvida.
Não sei mais para onde me dirijo
e esta lembrança já me foi tão nítida!
Respiro. E o ar, longo, curto, pesado,
como custa a entrar, a sair, a voltar, a seguir...
Reina a paz, mas sob sua bandeira há dor.
Agudo, o olhar vê tanto que angustia a alma.
Quem sou eu? Onde moro?
Erro pelas ruas, ruas de vida, tantas ruas,
esbarrando nos que se apressam
e nos que estagnaram, encostados nos cantos...
Não reconheço mais os endereços,
não tenho mais saudades,
não faço mais planos,
desconheço as linhas das minhas mãos.
Das interrogações que me faço,
poucas pedem realmente respostas.
Não saber, ainda é uma vitória.
(Ouvindo, "Under the bridges of Paris"...)

Voando só


E se eu fosse
dizer
que estou
e só
fazer
alusão
aos pássaros
voando sós
e só
querer
um ninho
o ninho
meu ninho
só.
(Ouvindo David Sanborn)

Um brinde à vida


Alguns dias, semanas, depois um ano. E hoje são dois anos. Dois anos que ela abriu as asas e mostrou para o mundo que era um anjo. A gente, que não esperava, levou um susto enorme. Mas ela não avisou, simplesmente partiu. Ou talvez até tenha avisado, de mansinho, com pequenos gestos e doces palavras ao longo do tempo sem que déssemos a devida importância.
Dois anos depois eu olho pela janela e lá fora, nesta terra que ela amava muito, o sol brilha imensamente. O céu, de um azul claro, festeja o verão e as árvores, exuberantes em suas folhagens de tantos verdes, acenam levemente.
Ouço músicas. Músicas alegres como ela sempre amou. Me vesti alegre, alegre como ela sempre se vestiu e amou. E depois vou caminhar, olhar as pessoas, a vida, viver. Porque em minhas lembranças não há pessoa alguma que tenha significado melhor a palavra vida do que ela: minha mãe!
Saudades, Tetê! Um brinde à vida, onde e sempre ela estiver!
(Imagem: rosas de Genebra para minha mãe!)

Só Pra Constar


O humor tá bom, mas quando vejo uma placa como esta, penso que merecia ser colada em mim em certos momentos...

Antes tarde...



Antes tarde
bem tarde,
ou mesmo
nunca,
por favor...
Porque hoje
estou ocupada
em refazer
tudo o que em
em mim se desfez
tentando ser
o que jamais
seria...
Se não tivesse
perdido tanto tempo
tanto sangue e água,
sentada numa estrada
que não tem retorno.

(Ouvindo Herb Alpert, Rise)

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