terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Gaiola dourada


Por entre as frestas olho tudo
longamente
as ruas ali e as estrelas imaginadas...
Vôo. Um vôo intrépido e imaginário.
Sacudo a cabeça e as asas.
Asas... cortadas, ainda são asas?
Puxo da memória incansadamente
os bosques, os cheiros, as vistas...
Mas o cansaço instalado é sinônimo
do comodismo instaurado.
Dóem os olhos, a cabeça, o corpo.
Dóem ou fingem dor para esquecer?
Além das grades e da porta fechada
(ou estaria entreaberta?)
ainda existe algum mundo, outro mundo?
Voar, voar, voar... para onde ir?
Para onde voltar?
Nem é existencial, mas da essência:
se quase esqueci de onde vim,
para onde quero voltar?
Bico seco, canto rouco, asas mancas e cores foscas.
Me resta, eu resto ou ainda há restos
de mim?

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