terça-feira, 4 de maio de 2010

Músicas, gavetas e redescobertas

Dia de chuva e vento. Em geral um domingo, para fazer esquecer que a semana inteira se esperou por ele. Enquanto somos requisitados pela calma do dia, coisas surgem para fazer. Gavetas esquecidas porque dentro delas estão coisas que precisamos guardadas junto ao que precisamos esquecer. Fato.
Sair ou não sair, eis o se a não nos deixar em paz... Se eu sair, se eu não sair.
Não saio. Coloco o cd de Toni Platão e resolvo abrir as gavetas. O título é bem meu domingo: Pra os que estão em casa.
Coragem, elas são cavernas e eu sou uma arqueóloga apaixonada! Abro a primeira e sou tomada imediatamente pela surpresa: meus óculos (velhos)!; minha caneta (preferida)!; o remédio que era para ter tomado (há meses)!; um carimbo antigo com aquele número de telefone que não dou mais a ninguém. Um monte de pequenos papéis cheios de anotações, endereços, telefones...
Ainda estou nos primeiros momentos da primeira gaveta. Já passei pelos Mares de Espanha e encaro agora Negro Amor. A voz me guia nas buscas, encontros e reencontros com objetos que por certo já foram mais do que objetos e nomes que significaram mais.
Mais uma gaveta e uma quantidade inesperada de papéis... Fecho. Abro novamente. (... Vestindo a mesma roupa que foi sua... não tem mais nada negro amor...). Não insisto, fecho e deixo pra lá.
Subo e vou encarar mais uma. Caixinhas, caixinhas, caixinhas... Come together! Caixas com canetas que são precisosas por algum motivo (esta aqui seria... não lembro). Ah, a caneta que assinou tantas coisas importantes com meu tio! E a que ganhei do meu amor! De repente acende em mim aquela luz nos olhos.
Fico ali tocando, riscando, usando. E passo para a segunda caixinha: canetas compradas em momentos distintos com o objetivo claro de serem utilizadas (e por que não foram mesmo?).
Boa dia, boa tarde... lápis, canetas de pontas finas, marcadores de livros (ah, meus livros que estão na outra gaveta...).
Ele disse (o cantor) que vai de aguardente... eu vou de café. Levanto e vou buscar. Vou caminhando e levantando as poeiras das lembranças de objetos que encontrei, arrumei, joguei fora, escondi, deixei para a próxima vez.
Dou um tempo pra mim. Fecho todas as gavetas e continuo ouvindo as músicas, cantando junto, as vezes tímida e noutras cheia de rock.
Até chegar a última, Moço Velho. E me vejo então nas gavetas que fechei. Como se eu fosse mais uma delas, destas gavetas repletas de tanto, que eu não sei mais se quero abrir.

2 de papo!:

Olavo disse...

Arrumar gavetas é achar um pouco de nós que esquecemos em algum canto
Beijos

Por toda minha Vida disse...

Aqui ainda é bom dia, Jacqueline.

Passei para ler, mas, sobretudo para agradecer por ter aceitado meu texto na revista, você não sabe a luz que acendeu e o quanto me fez feliz, interessante como a internet e seu mundo virtual podem mudar conceitos e mudar comportamentos. Enfim espero melhorar e me sentir segura para continuar escrevendo e sendo aceita na suas futuras edições. Parabéns pelo trabalho que vai além da escrita.

Renata Farias.

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