segunda-feira, 21 de junho de 2010

Torcida apaixonada


Eu também pinto o meu coração de verde e amarelo. Assisto jogos, torço, xingo, suspendo sessões de cinema e ajeito horários de trabalho. Afinal, apesar de muita gente não se importar, Copa é Copa e é só de quatro em quatro anos. E a cada quatro anos vamos olhando para trás e vendo cada vez mais coisas...
A primeira copa de que me lembro é a de 70. Todo mundo reunido (família e vizinhos) para ver a final na casa de meu tio em São José dos Pinhais, no Paraná. Meu pai já naquela época ficava na cozinha, dando uma espiadinha ou outra no jogo. Ele nunca aguentou ficar na frente na TV. Era muito nervoso (olha de quem fui puxar...). Já minha mãe ficava aos berros na frente da TV (bem, fico nervosa e grito horrores, bem filha dos dois peixes a peixinha aqui!).
Meu tio Valter dava socos homéricos na pobre televisão tentando exorcizar as listras que não paravam de surgir. A tia, ia e vinha o tempo todo, trazendo e levando coisas. A coitadinha não parava.Lembro dos vizinhos da frente, um casal de poloneses, que veio também ver o jogo. Que coisa linda depois a festa, todo mundo nas ruas, os gritos, a alegria. Na inocência nos meus nove anos nem sabia o que era ditadura e já tinha no sangue a alegria verde e amarela.
Depois veio o longo jejum. As copas de 74, 78, 82, 86 e 90 foram passadas sempre perto dos meus pais. O pai na cozinha, a mãe conosco vendo os jogos. O pai xingando da cozinha. A gente gritando em frente à televisão. Que jejum minha nossa. Muito longo mesmo.
Eu já estava aqui em Genebra, meus filhos ainda pequenos quando, em 1994, o Brasil lá nos "estaites" ganhou aquela copa. Foi o terror antes da glória. A final foi um terror. Estávamos entre amigos, aliás, superlotamos a casa de um de um casal amigo e simplesmente fizemos toda a vizinhança sofrer conosco até chegar a vitória. Aí foi o alívio geral. E como disseram vários jornais depois, "Genebra, depois da segunda guerra mundial, nunca tinha visto festa tão grande e tão bela". Pois é, só nós. A gente ganha, faz a festa, divide a alegria com todo mundo.
Noventa e oito (escrevo assim porque os números ainda me chocam) foi um filme de horror. Um parêntese, uma coisa. Até hoje ainda não acreditei no que vi no campo. Só nas lágrimas que vi entre as pessoas que aqui em casa estavam vendo aquela final inacreditável.
Ah, 2002. Ronaldinho e seu retorno infalível. Brasil e sua vingança. A volta. A alegria de saber que não era, ai minha nossa!, não era mais um jejum daquele!! Como foi boa, como foi linda a nossa festa por aqui. E ainda tinha o tio Jacques, a alegria dele, o sorriso malicioso quando via um inglês por ali, um turco por lá... que saudades... E quem ia adivinhar que para a copa de 2006 ele não estaria mais aqui?
2006? Um susto. Mais nada. Nem sei o que foi aquela copa. Só sei que na final torci para a Itália. Não, não me perguntem porque senão teria que dar a única resposta possível: não tinha terceiro time pra torcer e não se torce pra juiz...
Ah, falando em juiz, o de ontem não me agradou não. Nem ele e nem o jogo estúpido dos nossos amigos africanos. Mas tudo bem, a copa de 2010 ainda não acabou...

3 de papo!:

Suziley disse...

E vamos na torcida Jacque...hehe!! Linda postagem. Um bom dia, boa semana, beijos ;)

O símbolo disse...

ahhhhhh Que ótimo!
Adorei, acho fascinante que as pessoas ainda se encantem com futebol e com o coletivo. Copa do mundo é isso, sempre achei. A semelhança, nesse período, é realmente convidativa a festa, alegria......um derrame de sentimentos.

A primeira lembrança que tenho de copas do mundo foi a dos Estados Unidos, como citou. Em 1994, após a conquista do bi mundial do São Paulo. Eu tinha 6 anos.

Eu lembro, claramente, de todos os jogos, da arquitetura, do modo como comemoravamos, da tensão e principalmente do camisa 8 da época, o Dunga, hoje o técnico da seleção. É claro, Romário estava em evidência. Acontece que o MEU APELIDO nas peladas, na época era....Dunga, pelo meu jeito turrão, mal humorado briguento e raçudo, eu também não fugia de divididas e já 'carregava o piano" desde essa época, além de ter o cabelo rebelde e espeta caju.

Nossa....como é bom lembrar!

Olha, eu confesso. Em primeiro lugar sou são paulino, e me preparava pra torcer contra a seleção nesta copa em função das maracutaias dos bastidores, da presidência da cbf, por tudo que os dirigentes estão fazendo com o Morumbi...longa história, muita politica e falcatrua, MAS...

É inadmissivelmente involutária a torcida, basta mirar a tv e o jogo, a dedicação dos atletas, a história de cada um, uma proatividade ao futebol e à seleção que eu não via há muito tempo...etc etc. Impossivel não torcer pro Brasil!

Obs:
O árbitro da partida, o jejuno Stephane Lannoy foi um colossal de um f... da p...! hahah

Abração!!!!! Boa copa!

Por toda minha Vida disse...

Oi, Jacque.

Aqui no Brasil tá uma loucura coletiva e dividida, depois do segundo jogo melhorou bastante, contudo vem Portugal e arrasa.
Mas futebol e isso bons jogadores, talentos individuais e muita, muita sorte.

Beijo.

Renata

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