domingo, 15 de agosto de 2010

Insofreável


Estava no meu rumo o tempo todo.
Caminhava ao meu lado.
Olhava na mesma direção.
No entanto, faltou-me o prumo
e no calado estava
do meu coração a cegueira.
Pelos poros me saíam a água e o sangue
e eu pensando estar só
seguia nem forte e nem firme.
Exangue, deixei-me ali
sem dó do que andava sendo
que ir-me ainda aumentava o corte.
Me dera!, saber da lucidez da alma
tão clara, tão certa, tão viva
fazendo de mim a coisa inteira.
Me dera!, mas a calma que me fez
cativa, absorta e pouco esperta
tirou de mim a visão.
Na estrada caminhavam os corpos
sobre os pés, sobre a cabeça e o tudo ía
se fazendo de vida mais pleno.
Portos me aguardam e ainda agora
por mais que esqueça da sina os vieses
caio na noite, sereno se estendendo.
Somos mais que um
somos bem mais do que um
somos tudo mais do que aquele um
para fazer mais
para ser tudo
para ser uno.

3 de papo!:

Suziley disse...

Belo poetar. Uma boa noite para você Jacque. Ótima semana. Beijos no seu coração ;)

O símbolo disse...

Dispensa elogios......aliás, não dispensa não, é sofrível deixar de pagar pau pras verdadeiras coisas boas. E, como sempre, estou aqui pra reverenciar mais uma da sua autoria.

Mas, isto aí de cima me fez olhar para o lado direito do teu blog...e vi o seu certificado de graduação, olhei de novo pro texto
e vi que a paciência, em determinadas ocasiões, exaspera....
e me lembrou Drummond, quando ele tirou o clima auréolo que a maioria cobre a senhora paciência (Não é fácil ter paciência diante dos que têm excesso de paciência)

Você está certa quando associou calma e perda de visão...

Enfim, rende muita coisa pra pensar e toca...e isso, por si só, basta.

Abraço, bom início de semana!

Pia Fraus disse...

passando para matar a saudade das suas palavras!

bjk

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