segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Desejos de balbúrdias


De repente as paredes não mais se elevam
apenas tentam se encostar umas nas outras
e os sussurros e as falas e os gritos que passavam
silenciados foram sem deixar traços...
O tempo está taciturno, as nuvens não choram
e o vento que forte cantava lá fora se foi.
De repente tudo está tão calmo e a calmaria inquieta
porque não é paz é um desassossego
uma espera pelo que não virá
uma realidade interrompida sem o sonho.
E na ausência de sons e de cheiros e visões
O absorto é o olho que não fecha e o coração medroso.
De repente o que se queria é um ruído qualquer
mesmo uma assuada que carregasse longe a falsa paz
barulhos bons, barulhos maus, barulhos quaisquer
e o regresso enfim da vida.
Que mudo está o mundo e eu no meio dele calo.
E cego está o mundo e eu no meio dele temo.
E nós nada ouvimos. Nem o mundo e nem eu.
Desta quietude somos reféns.

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