quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Déspota


Um tirano exerce em mim triste poder
de trazer à tona a embriaguez da vida
e assim também a dor mais consumida
oscilando meu olhos entre o riso e o sofrer.

Dá-me ordens para me transformar em rio
chorando no interior e secando as margens
parado sob a chuva entre as passagens
desejando a vida por um fio.

Grita-me que a felicidade é um presente
e dela faz-me companheiro ausente
noite e dia, dia e noite mais vazia...

Leva de mim as penas como vento
levando as nuvens sem um sentimento
desequilibrando e causando a apatia...

A opressão vem de um desejo inconfessado
de ver-me balançar como um brinquedo
sendo o que nunca mais seria um segredo
um ser com pouca vida e alquebrado

Assim um instante sou o riso e as gargalhadas são
falando alto e confiando no destino traficado
noutro seguinte silencio ou choro e fico desarmado
enquanto pensamentos apenas passam e vão...

Pareço o cata-ventos no telhado em frente
que dança apenas sem mais nada em mente
sem se dar conta de uma anomalia...

Sou como a folha que com os pés afugento
esquecida de quem foi no seu acanhamento
e a quem apenas a calçada acaricia...

0 de papo!:

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