sábado, 23 de outubro de 2010

Nos braços de quem?


Não acordei hoje. Na verdade não me lembro bem qual foi a última vez que encontrei comigo completamente acordada. Sei disso porque agora há pouco, só alguns segundos atrás, andava eu me pendurando nos cantos, me encostando em sonhos que eu jurava serem realidade.
O céu acinzentado com aquela vontade de ter um sol brilhando nem que fosse um sol interior. E eu reclamando do frio porque saí sem meu cobertor. Também o travesseiro eu troquei porque sofisticação na hora de existir do sono só faz bem em propaganda de revista feminina (as masculinas têm a bondade de se eximir deste desgaste e preferem paisagens). O peso dos olhos é conveniente e nada atraente causando olheiras e fazendo lembrar do famoso (seria mesmo?) marchand de sable que poderia ou não ter passado outro dia pela minha porta e deixado sacos e sacos de areia. Poderia ser mesmo movediça que eu nem teria notado tamanho o cansaço.
Fiz uns planos, realizei alguns, transformei outros em desejos pós qualquer negócio e até consegui fazer de outros umas utopias com a intenção clara de afastá-los da minha boa vontade que ultimamente nem anda firme. Deve ser o sono. É o sono que dá esta desvantagem. Se eu tivesse prestes a acordar ou talvez mesmo acordada o dinamismo do corpo descansado casaria com minha cabeça. Asnice. Reconheço quem está ainda andando de braços com Morfeu e aposto que este é meu caso. Só que... sem figuras e muito linguajar, até hoje não tenho a menor de idéia da cara dele, o Morfeu, que dizem nos carregar nos braços e eu mesma disse, tantas vezes, ter passado horas em seus braços.
Pelos momentos de agora e os de ontem e os de antes ainda vislumbro que despertar vai levar um certo tempo. Quem sabe numa destas conversas inequívocas com o vampiro ou o desconhecido que volta e meia aparecem poderia negociar uma passagem de volta para a realidaade dos acordados. Talvez tenha um barco (uma barca) ou uma ponte ou um monte de fios conectados. Qualquer coisa. O objetivo seria sair de dentro ou entrar para fora. Movimentar o esquema da areia nos olhos, dos braços do tal cara, do canto da sereia, da agulha da bruxa ou seja lá o que ainda continua me mantendo aqui dormindo e jurando estar acordada. Mas eu nem juro mais, já estou na esquina da controvérsia.
Agora é não mexer mais nada e esperar. Vai ter um sinal. Vai ter... alguma coisa vai quebrar.

1 de papo!:

T@CITO/XANADU disse...

Do silêncio às vozes
Paira um abismo em nós.
Com sonhos sentidos
De cartas marcadas!

Tácito

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