quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Sem júbilo


Não quero mais comemorar aniversários. Nem de vida e nem de morte. Nem quero lembrar de antigas comemorações que só fariam esfriar ainda mais as vontades de fazer uma pequena saudação a quem quer que fosse aparecesse na lembrança.

Aniversários e saudades são coisas misturadas num mesmo pilão: depois de bater, bater, bater, já se fica com o amargo dos anos somados para frente e dos que ficaram faltando.

Enquanto celebrados, os aniversários são pontos de alegria. Mas em algum momento viram solenidades e quando não mais festejam a vida acabam por solenizar ainda mais datas que não falam mais de gente, mas de momentos daquela gente, talvez mesmo um momento final.

Desisto de comemorar aniversários. Abandono o prazer dos bolos e das velinhas e das bandeirolas pela graça de um esquecimento magnânimo que fará com que todos os dias sejam iguais em nome e número.

Até que separe a morte os dias da vida e a vida ela mesma se confunda com os festejos da morte.

1 de papo!:

T@CITO/XANADU disse...

O outono em breve vem
Com as folhas murchas e pardas.
O verão ficou mais além,
A primavera passou também
O inverno no peito guardas!

Brinca enquanto ainda...

Tácito

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