sábado, 27 de novembro de 2010

Até que a morte os separe


Mancava discretamente. Seus passos lentos iam aos poucos virando a esquina. Guardava as mãos nos bolsos e nos bolsos o tesouro há muito compartilhado apenas entre ela e suas mãos. Ia sob a chuva e não sentia vontade de se apressar, a perna doendo e o cansaço já tomando mais do que a cabeça. Parou no sinal esperando para atravessar a rua. Não viu o sinal abrir, não viu o carro avançar, não se lembrou de ter caído. Ao lado de si mesma via o homem que gritava por ajuda e um outro ainda com o telefone. Mas o que lhe chamou mesmo a atenção foi seu tesouro caído ao seu lado. Ali, sobre o chão molhado da chuva o anel brilhava. E foi pelos dedos de uma criança que seu tesouro foi levado. Ela sorriu e lembrou então que quando o recebera ele havia dito: Minha criança! E ela tinha dito sim. Até que a morte os separe. Duas vezes.

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