sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Epifania


Ela estava lá, simples e sem qualificações esperando não um trem e nem um filho mas simplesmente o lugar prometido naquele mínimo pedaço de jornal: o emprego de recepcionista. Pensou os cabelos lisos e nada alisados e os lábios secos do batom envelhecido junto com a pele. Passou as mãos pelo justo bolso acafelado na justa saia. Pegou mais forte na bolsa que de couro só tinha a vontade de ser. Assim como ela na sua total ausência de pretensos orgulhos. Passeou os olhos pelo chão e pelo teto até ouvir o som mágico de uma voz nunca ouvida antes: - A senhora está contratada, começa amanhã. Foi quando viu a luz e nela se transformou.

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