sábado, 27 de novembro de 2010

O rapaz interior


Ouvia as músicas que tocavam no rádio. Fazia tempo que não ouvia rádio. Músicas novas. Músicas velhas. Boas músicas. Lembranças inevitáveis vinham trocar figurinhas na mente do rapaz que nem tinha tanta idade assim. Pelo menos, o rapaz que existia dentro dele; porque do lado de fora o homem já caminhava para a maturidade e não entendia a mudança radical que se sobrepunha aos seus desejos. Desejos... Ele andava seco. Sem interesses. Aliás: quando fora mesmo que perdera o interesse pelo amanhã? Quando foi que deixara de se maravilhar com a vida? Cantarolando uma e outra canção ele se transportava e tentava dar passos para trás. Mas as chuvas não movem mais moinhos tão quanto as palavras e as melodias não movem mais do que seus antigos sonhos. O rádio continua sua seleção aleatória, espontaneamente deixando pedrinhas pelo caminho para que ele não se perca nas lembranças, floresta implacável de contos nada infantis. Ele vai, juntando uma a uma das sílabas. E se nega a pensar em qualquer coisa que desfaça o deslumbramento de ser ainda o rapaz interior e anterior.

1 de papo!:

pauloa disse...

Gostei muito do rapaz interiorrrrrrrrr

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