segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Um minuto a mais


Palavras presas na garganta. Cordas amarrando as mãos. Uma agonia que não cede. Marcaram para estar lá por volta das quatro, eram duas horas e ele não sabia mais o que fazer. Já tinha trocado de roupa, refeito o discurso, pensado em alternativas. Agora não havia mais volta, era ir ou ir. O relógio já estava cansado e com os ponteiros gastos de tanto que ele pegava e olhava e mexia. O chão tinha seus passos gravados: para lá, para cá, indo, voltando. Olhou a cadeira, sentou, levantou. Teria muito o que dizer. Não, não teria nada a dizer. Talvez tivesse uma ou duas coisas a dizer. Esperou ainda. Como sua mãe tinha esperado por ele: sozinha. E agora, trinta e seis anos depois ele ia ao encontro do pai. Por quê? As respostas estavam com aquele homem que ele não sabia se seria uma imagem sua no espelho ou mais um estranho a cruzar. Abriu a porta e saiu. Dentro de alguns instantes ele saberia se todas as penas tinha sido válidas. Um minuto a mais e tudo estaria completo.

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