terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A resistência


Há dores que fazem tanto estardalhaço que não há como esconder, elas são como um carnaval de cores e ruídos, chegam acintosamente e desatam em nós com fúria e sem segredo.
Outras dores, silenciosas dores, caladas dores, nem vemos chegar. Quando percebemos estão instaladas, incorporadas, vinculadas ao nosso estado de ser.
Pouco importa se a primeira ou a segunda nos toma. Dor é dor. Mal é mal. E o sentimento de não poder fazer muito é sempre maior.
Porque dor passa não quando mandamos embora, quando enxotamos de nós e dizemos chega! Dor, não interessa qual e como e quanto, só passa quanto tem que passar.
Suportar é remédio tanto quanto remédios em si. Ter a coragem de enfrentar conhecendo seu medo porque há a certeza de que partirá.
E resistir não fica mais como sinônimo de padecer.

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