domingo, 1 de maio de 2011

Ato de constrição


Era um dia escuro. Olhos fechados por detrás das janelas fechadas. A vida estava suspensa e o som das palavras estava mudo. Deitada, ela sumiu sob as cobertas num frio imaginário e incômodo. Dali daquela espera torturante até o dia seguinte seria uma longa estrada. Caminhando só e com o fardo da dor, até tudo transformar-se em lembrança. Não tinha mais nenhuma oração em reserva, apenas a agonia do crânio latejante onde suas unhas estavam cravadas. Seria preciso pedir perdão para que a dor partisse? Perdão do que? Fazer promessas? A quem? Encolheu-se um pouco mais e guardou as mãos junto ao corpo molemente. Então chorou.

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