sexta-feira, 17 de junho de 2011

PASSAGEIRO CLANDESTINO

Bebia para esquecer. E esquecia. Chegava em casa sempre ajudado e o dia seguinte era um dia em branco. Se tinha quebrado regras ou braços; se tinha profanado corpos, transgredido leis, violado corações, o que importava? Bipolar. Tri. Sem polo algum. De desculpas ele trazia o bolso cheio. E para as desculpas ele enchia o copo do álcool que o levava além. Bebia tudo e não usava as desculpas. Não precisava, estava tudo esquecido, tudo apagado, tudo estranhamente encoberto pelo desprezo que ele carregava por si mesmo. Bebia e esquecia. Era um passageiro clandestino daquele corpo e abusava dele sem qualquer arrependimento.


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