sábado, 11 de junho de 2011

Reveses


Falsos passos andando como corpo bêbado e alquebrado
passos de palhaço cansado
ou de bailarina acabada.
Tropeços, quedas, feridas, sangue, medo e dor.
Do momento do tudo ao momento do nada
autor da sentença que lhe entrega
à própria morte ou à prisão perpétua.
Batalhas que se tornaram guerras.
Medos enfiados nos bolsos
e a nudez que os expôs.
Trapos gastos se espalhando pelo corpo sedento e esfomeado
gastos pelo uso incansável
ou pela falta de lavagem.
Vômito pintado nos braços
e a lavadura como alimento.
Do momento do nada ao momento do tudo
quando o prêmio maior foi a inveja
e a sede alheia que veio beber das suas lágrimas.
Do momento do tudo ao momento do nada
quando a única mão foi a que indicou
o passeio perto do penhasco. Um passo.
Querer tudo é deixar alguém com nada.
E mãos vazias agarram armas ao invés de flores.
Mãos vazias se espalham para empurrar
e se fecham para socar.
Incautos!
O talento e a força são sonho de muitos
que não tem sequer tijolos nas mãos.


(Imagem: by KMoongangS)

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