quarta-feira, 13 de julho de 2011

MIRAGENS CAUSAM TEMPESTADE

Ele olhou para a loira que passava, sob seus óculos. Felizmente,  e não para ele, as lentes escuras guardavam seu olhar só para ele. Ela desfilava lentamente os seios altos e cheios, os quadris rebolativos e as pernas, oh deus!, que só terminavam longamente bronzeadas quando chegavam às sandálias altas, pretas e de salto vermelho. Não resistiu. Esqueceu onde e com quem estava e virou-se para dar mais uma chance aos seus olhos de continuar tendo a visão daquela que só poderia ser uma miragem. Justamente quando se concentrava na mais bela bunda que já havia visto na vida sentiu três coisas nada favoráveis a quem estava no meio da rua e acompanhado: entre suas pernas seu desejo tinha crescido; o ruído e a dor no rosto foram muito maior do que poderia ter esperado (se tivesse esperado!) e, finalmente, encarar o olhar surpreso e risonho dos transeuntes e mesmo da moça loira que agora ria mostrando um sorriso que, com certeza, ele nunca chegaria perto. Tentou se recompor mas foi uma outra surpresa: quem estava com ele não estava mais, já se afastava ao longe, passos rápidos, decididos e irados. Começava a ter uma leve ideia do que aconteceria quando chegasse em casa. E nem teria como explicar pois a tal frase do pensei com a cabeça errada já estava velha e furada. Desta vez adivinhava seriedade na conversa. Sorriu sem vontade. Teve a  mesma sensação de quando seu time de futebol perdia. Era uma merda. E não tinha conserto e nem volta e nem desculpa. Seguiu para casa com os olhos baixos sob os óculos escuros e as mãos nos bolsos catando vergonha para se desculpar.

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