terça-feira, 19 de julho de 2011

SER O QUE SE É


Eu admiro os intelectuais como admiro os trabalhadores braçais. Admiro os matemáticos como admiro os artistas. Admiro os crentes desesperados e os ateus fiéis.

Na verdade, admiro tudo o que é verdadeiro. Ou seja, admiro as pessoas que fazem aquilo que fazem porque é o que sabem fazer, porque fazem por prazer, por necessidade, por obrigação ou amor. Mas jamais para se impor ou mostrar de si mesmos uma imagem que só existe no próprio espelho, no espelho interior. E acabam sendo o que nem mesmo sabem que são.

Certas pessoas tentam em vão me puxar para um lado e para o outro, gentis palavras fazendo as vezes de um balanço no quintal. Grupos, turmas, partidos. Eu sorrio. Não sigo ninguém. Elevo meu silêncio ainda mais alto do que minha voz. Quem me conhece sabe. Não sou intelectual, nunca fui. Sou uma trabalhadora da arte, uma apaixonada pela leitura que não decora absolutamente nada de literatura. Tenho talvez um temperamento mais artista do que pragmático mesmo se sou boa nos cálculos como nem eu mesma imaginaria! Escrevo apaixonadamente nas horas vagas e já trabalhei arduamente dez horas por dia em um banco; hoje passo estas mesmas dez horas dedicando um trabalho cheio de amor à revista e à livraria que criei!

Creio num Deus de todos e dele sou devota e fiel. Mas sou descrente de quase todas as religiões, elas me desesperam, me assustam com seus dogmas devastadores. Em todas estas encruzilhadas, fora de mim eu sempre escolho aquela que está na minha pele, aquela que eu sinto que sou, que quero ser, que posso ser. Mesmo se por momentos a vida me faça fazer curvas... a natureza reage viva, me sorri e me devolve o que é "meu".

Há alguns anos enviei para muitas pessoas meu “Coracional”, o livro que editei em 2007 e fiquei feliz de poder compartilhar na época a minha felicidade. Aquele livro foi e é a minha exata definição: não sou uma coisa só, não tenho gênero, não faço gênero, não deixo me catalogarem, sou de tudo um pouco e um pouco de tudo.

Do ano passado para cá lancei quatro livros (Entre os Morros da Minha Infância, Poesia nos Bolsos, Lata de Conserva e o que organizei, Varal Antológico). Sem falar em mais de quinze números da Revista Varal do Brasil. Exagero? Deve ser... Mas tenho muito o que dizer. Espanta se eu disser que estou trabalhando em mais alguns livros?

Sou sim compulsiva. Excessiva. Mas também “recessiva”. Ando para frente, mas tenho uma ligação complexa com o passado. Não preparo o futuro, deixo que ele me surpreenda a cada manhã quando abro os olhos e, literalmente, salto da cama.

Ser o que se é está cada vez mais difícil neste mundo onde até mesmo as opiniões que se dá devem coincidir com o gosto das maiorias e minorias batalhadoras por direitos e nem sempre por deveres. Mas eu tento. Do meu jeito, assim, meio antissocial, meio eremita, mas bem-humorada, risonha e com muita vontade de sempre ser e fazer feliz.

Imagem by Polish Girl

1 de papo!:

Universo Paralelo disse...

Bem escrito e muito bem interpretado, acho que ninguem é obrigado a ser do jeito as pessoas querem, somos como somos, e somos felizes assim, me encaixo nessa, beijos

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