quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Corda amarrada

Sua vida hoje estava ainda amarrada à antiga vida. Eram duas vidas independentes: ela tinha sido Adriana até uma certa época; depois voltara a ser Cleide, aquela que fora batizada e fizera primeira comunhão com este nome. Só que Adriana não largava dela, vivia por perto, dava as caras quando ela menos esperava. E não podia! Cleide simplesmente não podia conviver com Adriana. Nem no mesmo corpo e nem no convívio com as pessoas. Adriana tinha feito o que pudera para sobreviver. Cleide adormecera e só voltara a acordar no dia que Adolfo a pedira em casamento. Agora, como se tivesse uma corda amarrada nos pés, ambas davam passos juntas. Infeliz ideia, pensou Cleide. Adriana estava morta e carregar um peso morto só a faria sofrer. Resolveu então cortar a corda. Escreveu uma história, deixou Adriana livre de existir nas páginas da história. E pediu para que ela nunca mais viesse assombrar a sua vida. Foi uma separação com união de bens.


1 de papo!:

Francisco Coimbra disse...

Uma corda que acorda a semântica e não se fica por passar na fonética, mergulhando na prosódia? Saltando nela, a corda faz saltar, depois de se começar. No começo, seu texto. Parabéns, por libertar uma história! Bjs
Confirmei ter passado a enxaqueca, saúde! :)

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