quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Pensando na vida e despedidas



Outro dia eu estava pensando na vida e soube que ela partira.
Foi assim repentina a partida, sem aviso e sem despedidas.
Foi embora e só.
Me deixou então tão surpresa que esqueci que a morte é sim, uma surpresa.
Mesmo esperada nunca será outra coisa senão surpresa.
Fiz versos dentro de mim tentando, numa espécie de tricô de palavras,
tecer algo que aquecesse meu coração gelado pela dor da ausência.
Nem ainda estava pronta para pensar outra vez na vida que vi ele partir.
Não foi repentina a partida, foi anunciada e longa. Mas sem despedidas.
Ele também, foi embora e só.
Me deixou ele então com a sensação triste do abandono inteiro
aquele abandono que não tem metades
que se parece com um vaso quebrado no chão e seus pedaços espalhados por tudo
sem esperança de se recolar.
Durante muito tempo pensei na morte e nada mais do que ela e suas portas escancaradas
levando gente e nunca trazendo de volta.
Passei horas dos meus dias e dias da minha vida esquecida de como viver outra vez.
Até que o tempo veio, manso, doce, transparente e cheio de uma lucidez intransigente
e então passou as mãos sobre a minha cabeça, adoçou minhas lágrimas
e trouxe sem que eu percebesse alguns sorrisos.
Outro dia ainda eu estava pensando na morte e senti o carinho da vida
quando nas minhas lembranças fez voltar o tempo e me deixou ser feliz novamente
recortando do passado os retratos de muitas felicidades vividas
perto daqueles que hoje não estão aqui e que mesmo assim permanecessem em mim.
Hoje o dia é uma ponte e não vejo com estes meus olhos onde estariam os que partiram…
mas sinto, meu coração sente, tudo em mim sente
que a presença do amor é eterna e desta eternidade eu sempre farei parte.

0 de papo!:

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