quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

POETA SEM POESIA

Era um poeta destes não convencidos
de que a poesia
realmente
existia.
Fazia versos, incertos e intensos
mas não os lia.
Nem os seus
e nem os de mais ninguém.
Era um poeta que não tinha olhos
para a poesia,
inversamente
outras coisas lia.
Mas os seus versos, ternos e imensos
para ele não existiam
nem os seus
e nem os de outro alguém.
Tinha livros com poemas saídos de dentro dele
e que no papel tinham sido gravados.
Tinha também linhas com poemas vindos de corações alheios
e que formavam páginas de livros guardados.
Porque ele, o poeta, nada lia.
Nem o que escrevia
e nem o que já existia.
Era um poeta que vivia bêbado de sonhos
de emoções fortes vivia
tão intensamente
que às vezes quase partia...
Mas ele fingia
que nunca sentia
a veia da poesia.
E assim passava os dias
sem muitas alegrias
quase dormente
nos braços da dama ardente
que ele, amargo, seduzia.
O que o poeta não via
é que em suas noites quentes
o que sempre amanhecia
ao seu lado tão fremente
era a doce poesia.
Imagem by shiek0r

0 de papo!:

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails