quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Montanha-russa



Dentro de minha cabeça existe uma montanha-russa
e é com ela que vivo diariamente.
De olhos fechados sou lançado
para cima
para baixo
para cima
para baixo
ainda mais para cima
bem mais para baixo
E algumas vezes tenho a impressão
de que não subirá nunca mais
ou não voltará nunca mais ao solo
este solo que já não sei onde fica
se é mais em cima
ou mais embaixo
esta areia movediça pela qual me movo
é supostamente o meu chão
porque o céu eu já sempre soube
que, de qualquer jeito, não tinha limites.
Mas haverá limites embaixo
assim como não há em cima?
Cair, cair, cair, cair, ir em direção ao nada
Subir, subir, subir, subir, indo em direção ao nada.
E tudo o que eu queria era sentir sob os pés
a terra firme.
A mesma que se prepara para a chuva
a mesma que prende as raízes do carvalho
a mesma que guarda corpos adormecidos.
Tenho medo de subir ao infinito e não ter
espalhado migalhas de pão suficientes para voltar.
Assim como tenho medo de descer tão rápido e profundamente
que o fôlego não exista mais e me sufoque o regresso.
Dentro de minha cabeça existe uma montanha-russa
e ela é tão violenta, tão rápida, tão cheia de curvas e obstáculos
que já nem é uma surpresa
é somente o inimigo
que vive dentro de mim
e com o qual eu já cansei de jogar.
Eu me perdi.
Mais uma vez.
Eu me perdi entre o céu e o inferno
e a terra tornou-se invisível
a loucura é um abismo
que tem dois sentidos
e nenhum senso...
Montanha-russa.




Imagem: minha mesmo

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