quarta-feira, 7 de março de 2012

Da criança que acordada está em mim



O que um corpo guarda em si além da alma suposta e do encostado cansaço?
Guarda tudo o que já foi e tudo o que espera ser.
Dentro de mim uma criança acordada procura com quem brincar.
Parece de mau humor, mas é só tristeza.
Faz caretas, birras, bate o pé, chora, diz coisas que o pensamento não tem ideia do que sejam...
Isto é o que impensado é: coisa de fala de criança...
Criança quer companhia e não quer estar acompanhada.
Esta parte, que não cresceu e não crescerá, fica ali, vezes bem, vezes não, vezes me chamando e noutras apenas fazendo indistintos sons...
Esta parte que eu fui um dia e interiormente me faz sentir como se em certos momentos ainda fosse.
Me jogo num canto e choro.
Faço birras.
Escondo a cabeça.
Me sinto só.
Grito que não quero!
Saio brincando e rindo.
Faço piadas.
Rio alto.
Me sinto protegida.
Clamo meu amor e abraço!
O que há de difícil em compreender que adulta que sou, dentro de mim a criança ainda é parte que me completa?
Que esbarra em mim?
Se esbalda no que sou?
Se esquiva do que quero ser?
Se um dia eu passar quieta, olhe pra mim: talvez seja ela lhe chamando.
Se um dia eu passar pulando, olhe pra mim: talvez seja ela lhe chamando.
O corpo que me guarda sabe mais do que eu: não sou e nunca serei uma.
Apenas única.

Imagem by Madame Boudoir

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