domingo, 20 de maio de 2012

DIA DA BRUXA


 


Fantasiada de bruxinha (junto de mais cinco meninas) fui brincar de carnaval. Dona Ritinha tinha caprichado na fantasia preta, curta, com o imenso chapéu preto (e as varinhas!).
Na primeira noite, pedi ao meu pai:
- Pai, me leva num baile de carnaval de noite lá no clube?
- Levo!
Alegre e surpresa com tanta prontidão fiquei pronta desde cedo aguardando a ida. Mas cedo mesmo foi a hora em que chegamos ao Blondin: antes das dez da noite. O Clube vazio, mesas vazias, salão vazio. Meu pai foi tomar uma cerveja e eu ali, olho na porta, esperando alguém chegar. Que espera vã... Quase meia-noite e eu ainda lá esperando. Nada. Faltando muito pouco para meia-noite chega meu pai e diz:
- Agora vamos embora!
- Embora? Mas pai, agora que vai começar o baile!
- É, mas vai começar para os adultos. Vamos para casa!
E lá fui eu, toda vestida de bruxa, com a cara mais má que consegui fazer de raiva...
No dia seguinte fui, sempre fantasiada, assistir o desfile das escolas de samba.
Aguardava a chegada dos Xavantes quando os vi apontando no início da Jerônimo Coelho. Uau! Que lindos! E o que ainda mais lindo? O Bola Preta, puxando a escola, com aquelas fantasias que não existem mais!!
Fiquei ali na calçada gritando: “Bola Preta”!! E gritava tão eufórica, tão alto e feliz que um dos rapazes se virou, me viu e falou: “Vem cá”! Saí correndo, pulei por cima das pessoas e lá fui.
Ele me pegou no colo, colocou sobre os ombros e me fez compartilhar de uma das experiências mais bonitas da minha vida de criança: desfilei com eles, com o Bola Preta e o Xavantes! Desfilei pela avenida, sobre o Palanque, tudo... Nossa, como fiquei feliz!
Mas engraçado... não sei quem foi meu herói. Será que ele lembraria que um dia transformou uma bruxinha em fada?


Crônica publicada em meu livro Entre os Morros da Minha Infância, 2010

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