quinta-feira, 6 de setembro de 2012

NINGUÉM MORRE EM SILÊNCIO

Ninguém morre em silêncio. Mesmo aqueles que tentam o subterfúgio involuntário do anonimato. Atrás de cada porta o coração cessando de bater deixa ciente o cérebro. E este último, mesmo sem voz, guarda consigo aslembranças. E nenhuma lembrança é calada.

A morte quando chega, chega aos gritos... mesmo quando chega aos poucos. Ela assusta, amedronta ao ponto de pensarmos que é possível nos acostumarmos com a ideia de conviver com ela. Engano! Sua chegada, breve! e sua partida levando alguém, leve!, quanto nos faz sofrer.

Caímos no lugar-comum, nas palavras e nos sentimentos repetidos ao longo de nossa vida e todas as vidas que estão ao nosso redor. É impossível subtrair-se à dor. Ainda mais sabendo que dor nenhuma traz consigo tempo de validade, não avisa e não se tem a menor ideia de quando vai acabar. Choramos com ela e por ela. Choramos por quem parte e por nós mesmos, ah!, muito mais por nós mesmos que ficamos de maneira egoística repisando todos os solos pisados em comum e negando liberdade a ambas as partes.

Ninguém morre em silêncio. E em silêncio não fica nenhuma vida ao redor. A antecedência, em fatos assim, é inexistente. Pouco importa se trombetas de longas moléstias já a anunciavam, ou se a surpresa quis ser o que nunca seria.

Só quem vive, e quando vive, sabe em que terreno está. Só quem morre, e quando morre, sabe para que terreno vai.



(Texto de maio de 2007, originalmente publicado na primeira versão deste blog - apagada sem querer...!)
Imagem by Metide









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