sábado, 27 de outubro de 2012

A ESSÊNCIA DA VIDA


Viver. Um conjunto de outros verbos a serem conjugados durante um período indeterminado. Viver é amar, ser amado, deixar de amar, voltar a amar. Sofrer, lutar, abandonar, alcançar. Um amontoado de verbos que se conjugam ao longo do que chamamos existência. Acompanhados de pronomes que nos preenchem: tu, ele, ela, nós, vós, eles. Eu. Viver tem seus adjetivos, advérbios. Vida boa ou má, viver bem ou mal. Viver é simples. Viver é complicado. Viver é tudo o que temos quando não pensamos naquilo que chamamos vida e seguimos, atos, palavras e omissões, em frente. Algumas vezes olhando para trás, noutras sonhando apenas com o que está à frente.
E o que seria o que nos move dentro do viver? O que seria a essência mesmo da vida?
Seria o amor, que move nossos atos, deságua de nós palavras? O amor é causa e consequência de muito o que vivemos. Movidos por ele sonhamos, combatemos medos reais e irreais. Nos entregamos e entregamos tudo de nós. Seria o amor o âmago da vida?
Do nascimento até a morte, eis o que denominamos vida. O espaço que temos para existir entre o momento que respiramos fora do ventre até o instante em que a última respiração nos faz abandonar o corpo. Entre uma respiração e outra, quantos minutos, quantos anos, quantas emoções se passaram? Contamos a idade, mas não contamos as emoções. Contamos as vitórias e as derrotas, mas não contamos as respirações.
Somos passageiros de nosso próprio corpo no dia a dia em que evoluímos, ou pelo menos tentamos evoluir, nesta caminhada, a vida. Passageiros muitas vezes mais observadores do que ativos personagens. Deixamos a vida passar, olhando para os finais de semana e esquecendo que cada dia que intermeia os finais de semana é o último de nossa vida. Deixamos nossos sonhos e ilusões de um amanhã vago vencer o hoje, única coisa que temos por certa. Permitimos às lembranças e saudades serem maiores e mais importantes do que o hoje.
Seria a esperança a essência da vida? Ou seria apenas mais um dos artefatos que usamos para esquecer o único e exato ponto, o ponto de partida e chegada: nós estamos aqui de passagem, a eternidade não nos pertence neste mundo onde vivemos.
Então seria o que, o que seria a essência da vida?
Seria talvez a morte, o único passadouro comum a todos, levando ao desconhecido, o mesmo desconhecido que aqui nos trouxe?
Todos os dias morremos. Ao dormir, ao finalizar etapas, ao nos desligar daquilo que não é mais necessário. A morte é a essência mesmo da vida. Sem ela e todas as suas facetas, não haveria vida.
Seus fins e seus meios, da vida, não teriam razões. Seria somente uma caminhada vã para lugar algum.
Mas todos os dias morremos. Todos os dias nos despedimos das horas que nos foram oferecidas, das pessoas que amamos, da luz do sol, do brilho da lua, dos sons, das cores, dos odores... E todos os dias seguintes a estes, renascemos.
A vida é um dom. A morte, sua essência. E o renascimento, aqui ou onde o inesperado nos fizer despertar, é a esperança mais pura de um viver eterno.

Imagem by Summon my soul






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