quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Olhares entre olhares

Eu não sei o que ele viu nela. Mas deve ter visto, pois não tirava os olhos dela. Magrinha, miúda, com jeito de recém saída da infância, ela aparentava uma fragilidade que eu me perguntava se ela realmente tinha. Me perguntava porque seus olhos diziam o contrário. Diziam que poderia ser arguta. Muito.
Queria apenas saber se ela me via como eu a via. Não consigo tirar os olhos dela. Tão frágil, tão perdida em seus pensamentos. Seus cabelos castanhos soltos sobre o ombro, os óculos escuros, as mãos escondidas dentro dos braços. Ela com certeza precisa de proteção. E aqui estou eu, pronto, pronto para ela.
Por que ele me olha tanto? E ela? Não tira os olhos de mim também. Que gente estranha... Não é a toa que não gosto de ficar em público. Me sinto inconfortável no meio de gente que não conheço. Ainda mais gente que parece que tem vontade de me conhecer. Quero sair daqui. Não quero que saibam nada de mim.
A praça continuava cheia. A manifestação tinha acabado, as pessoas conversavam, algumas já se preparando para partir.
Ela deve ter vindo para a manifestação, deve ser daquelas que defendem a causa até estando errada.
Coitada, devia estar passando e ficou presa aqui no meio desta manifestação.
Vi tudo o que precisava, agora já posso ir. Sei exatamente os que começaram esta baderna. Hora de ir, precisamos tomar providências.
Quando a praça finalmente ficou vazia, três pessoas tinham quase se conhecido. Mas cruzar o olhar não basta para se conhecer e a praça agora só continha lembranças.

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