segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

DOS CICLOS DA VIDA



Vivemos de amor, de sua sede ardil
enquanto contamos flores sob um ar primaveril...
Amamos, somos amados, entregamos com calma
a doçura de palavras e o que pensamos ser alma...
Somos o herói de nossa própria juventude
somos da vida a flor em nossa irrequietude...
De loucas paixões vivemos inebriados e em desvario
Enquanto passam, como rios, nossos verões...
Transformamos-nos em nossa própria utopia
do espelho trazemos o ser que em nós jazia...
Somos o instinto, a natureza, a carne, o pecado,
somos da vida o pólen em seu mais livre estado...
Com o passar do tempo, com o pesar dos anos,
esquecemos as belezas que nos traz o outono...
abandonamos esperanças como folhas mortas
voltando o olhar para o que se foi sem volta...
Lamentamos, do feito e não feito sofremos o arrependimento
Somos da vida o caule se curvando sob o firmamento...
Enfim, um dia desejamos... um novo ciclo de estações eterno
Sem dentro delas estar por viver o insensível inverno...
Sentimos o vazio se espalhando entre os ossos doridos
E vemos se distanciar amigos, inimigos, sonhos queridos
Contando os curtos dias que um dia foram longos dias
Somos da vida agora a semente a cair sobre a terra fria.


(Poema publicado em 2010)

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