sexta-feira, 1 de março de 2013

Mar de Fatos




Tem dias que não choro
porque se chorar sei que posso morrer.
De dor ou de pena de mim,
eu sei que posso morrer.
Morrer de uma agonia desatada
de uma calamidade interna provocada
pelo magma insubordinado e incandescente
que transformado em lava escorre
do meu coração.
Que eu não quero é a piedade alheia
se nem a dó do espelho e a minha aceito
ruminando raivas, quero raivas,
de mim eu tenho raivas!...
Ou talvez seja também indiferente,
assim um pouco, meio transparente.
Quero passar em branco, silêncio geral
brutamontes, bruta pedra, brutidão total
sofrendo dores brutais
calores de carnavais...
Drástica! Dramática! (Silenciosa e doce...)
Mas acima de tudo, dogmática,
esquecida dos prismas,
risos soltos, pragmática!
E quando bate um cansaço dormente
vou largando os urros e as unhas
sob o tapete da entrada ou sob a alcunha
de voltar a ser gente.
Em pé, de frente para o altar de santo tédio
deixo escorrer as solitárias lágrimas-remédios
deixo sair os meus perdões, desculpas, medos,
todas as culpas, as paixões e os segredos...
Tudo que me apontava a culpa de ser eu
e mais que tudo me atravessava o ser instável
para dizer ao mundo com o dedo:
- Ali vai, ali vai ela, a frágil!


(Poema de outubro de 2009

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