quinta-feira, 4 de abril de 2013

As esperas de Rosa

Nos últimos tempos Rosa abriu mão de tudo. Não saía mais, não se arrumava mais. Fica em casa esperando. Esperava o carteiro, esperava o telefone tocar, esperava chegar quem lhe desse mais do que um pouco de voz. Prendia os cabelos para não tê-los agarrados ao ombro, já tão pesado dos fardos que a vida insistia em lhe dar. Insistia? A vida? Não seria talvez ela mesma que trazia tanto para dentro de si, até não mais aguentar? Rosa olhava pela janela e via as pessoas que passavam apressadas. Ela já tinha tido pressa também. Mas não agora. Agora apenas esperava. E de vez em quando, quando o sono vinha, ela então partia. Sem nunca saber para onde, sem nunca saber quando voltaria. Mas esperava voltar. Como tudo. Ela esperava.

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