segunda-feira, 8 de julho de 2013

EU SOBREVIVI ÀS SAUDADES



Quando olho para trás, me espanto!
Eu sobrevivi às saudades, tantas saudades...
Momentos difíceis, distâncias inúteis, gritos de volta e silêncios mortais.
Sobrevivi e hoje penso: como?
Se as dores eram tantas, tão profundas
e me afundavam em lágrimas e eu afogava as lágrimas
e cantava músicas e mais músicas tentando lembrar e esquecer.
Como, como, como eu sobrevivi a tanta saudade?
Ferida aberta, imensamente aberta, sangrando pelo corpo
sangrando pelos olhos, pelas mãos em doridos escritos.
O tempo foi passando e foi trazendo despedidas cada vez maiores
e cada vez mais tristes
O tempo que ao invés de amainar as dores, aumentava a saudade
endurecendo minha alma até as mais tristes consequências...
Emoções resumidas à saudade, tanta saudade!
E o tempo fez isto até chegar a um ápice jamais imaginado
onde a dor simplesmente me abraçou e me chamou de filha.
Penso que deve ter sido ali, por ali, mais ou menos ali
que a ferida iniciou sua cicatrização.
Quando dores foram aos poucos se fechando, ficando por dentro da pele marcada.
Ferida que escondeu-se na carne e da alma escondeu a podridão de seu mal.
Hoje as saudades quase que se foram; volta e meia doem como doem as cicatrizes de machucados comuns...
Doem com o vento, a mudança de tempo, certos toques...
mas já não doem sozinhas, apenas estão lá bem marcadas para não serem esquecidas.
Eu sobrevivi às saudades... deus, tantas saudades!
E elas me sobreviverão escritas, cicatrizes abertas que eu deixarei
Para que a dor sentida tenha ao menos uma razão
A razão de me fazer permanecer
Sem enlouquecer mais um dia, menos um dia, qualquer dia.

Imagem by Lacrymosa666

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